Figuras de linguagem
As Figuras de Linguagem são recursos estilísticos que afastam a linguagem da sua literalidade para dar maior expressividade ao texto. Para quem estuda para concursos de alto nível, como os da área de controle ou tribunais, elas deixam de ser "enfeites" e passam a ser ferramentas de interpretação lógica e semântica.
As bancas (especialmente FGV, Cebraspe e FCC) adoram cobrar a sutil diferença entre figuras parecidas para testar se o candidato realmente compreendeu a intenção do autor. Confira este guia estratégico.
Figuras de Linguagem: Guia Definitivo para Gabaritar
As figuras dividem-se em grupos: palavras (semântica), pensamento, sintaxe (construção) e som. Vamos focar nas que realmente caem.
1. Figuras de Palavras (Semânticas)
Focam na mudança de sentido original das palavras.
Metáfora: Uma comparação implícita, sem o conectivo "como". Cria um novo sentido por semelhança.
Ex: "A corrupção é uma gangrena no tecido social."
Comparação (Símile): Explícita, usa conectivos (como, tal qual, igual a).
Ex: "A fiscalização é como um filtro necessário."
Metonímia: Substituição de um termo por outro com o qual mantém uma relação de proximidade (autor pela obra, continente pelo conteúdo, parte pelo todo).
Ex: "Li Machado de Assis" (o livro dele) ou "O palácio não se manifestou" (os governantes).
2. Figuras de Pensamento
Trabalham com as ideias e emoções do texto.
Antítese: Aproximação de palavras com sentidos opostos, mas que convivem logicamente.
Ex: "O Estado deve garantir a paz e combater a guerra."
Paradoxo (Oxímoro): Ideias contraditórias que se excluem logicamente. É a "loucura" do texto.
Ex: "Estou cheio de vazio." ou "O fogo que gelou a alma."
Hipérbole: Exagero intencional para dar ênfase.
Ex: "Já expliquei isso um milhão de vezes."
Eufemismo: Suavização de uma ideia desagradável ou chocante.
Ex: "Ele faltou com a verdade" (em vez de "mentiu").
Ironia: Dizer o contrário do que se pensa, geralmente com tom de deboche. A FGV ama cobrar isso.
3. Figuras de Sintaxe (Construção)
Focam na estrutura da frase.
Elipse: Omissão de um termo que pode ser facilmente identificado pelo contexto.
Ex: "No céu, [havia] apenas estrelas."
Zeugma: Tipo de elipse em que se omite um termo já mencionado anteriormente.
Ex: "Eu estudo Direito; ele, [estuda] Administração."
Hipérbato: Inversão da ordem direta da frase (Sujeito + Verbo + Complemento).
Ex: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas..." (O correto seria: "As margens plácidas do Ipiranga ouviram...").
Polissíndeto: Repetição enfática de conjunções (geralmente o "e").
Ex: "E estuda, e trabalha, e revisa, e vence."
4. Onde moram as "Pegadinhas" das Bancas
As bancas saíram da identificação básica e agora pedem a análise do efeito de sentido:
Antítese vs. Paradoxo: É a campeã de erros. Se as duas palavras opostas acontecem ao mesmo tempo e criam um absurdo, é Paradoxo. Se são apenas contrastes claros, é Antítese.
Prosopopeia (Personificação): Atribuir características humanas a seres inanimados. Comum em textos de opinião para dar vida a instituições. (Ex: "O mercado está nervoso").
Sinestesia: Mistura de sensações de órgãos diferentes. (Ex: "Um cheiro doce" — olfato + paladar).
Ironia na FGV: Muitas vezes a ironia não está em uma palavra, mas na estrutura lógica do texto. Se a alternativa diz que o autor "elogia" alguém em um texto crítico, desconfie: pode ser ironia.
5. Resumo Estratégico
| Figura | Palavra-Chave | Dica de Prova |
| Metonímia | Substituição | Procure por "parte pelo todo". |
| Paradoxo | Contradição | Se for impossível na vida real, marque esta. |
| Eufemismo | Suavizar | Muito comum em discursos políticos. |
| Hipérbato | Inversão | Se a frase parecer "de trás para frente", é ela. |
| Zeugma | Omissão | Verifica se o verbo foi "economizado". |
Conclusão: Contexto é Rei
Em concursos, o nome da figura é secundário à sua função. Pergunte-se: "Por que o autor usou esse exagero?" ou "Qual o efeito dessa ironia na crítica?". Isso resolve questões de interpretação pura.
Bônus para fixação:
Lembrete: Os Artigos aqui expostos, são resumos dos assuntos.




Comentários
Postar um comentário